quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

MEC divulga primeira chamada do Prouni na internet

Apenas para o primeiro semestre de 2013, estão sendo oferecidas 162.329 bolsas

A primeira chamada do Programa Universidade para Todos (ProUni) já está disponível na internet. Para ver o resultado, o estudante deve entrar na página do programa. Os alunos terão até 31 de janeiro para apresentar a documentação e fazer a matrícula na instituição de ensino para a qual foram selecionados.
Cada estudante pode optar por até dois cursos. Foto: Miguel Portela/ Agência Diário
Segundo números divulgados pelo MEC, o balanço final do ProUni registrou 1.032.873 inscritos. O total de inscrições foi 2.011.538, considerando que cada candidato teve a oportunidade de fazer até duas opções de curso. O estado com o maior número de candidatos na primeira edição do programa neste ano foi São Paulo, com 187.489; seguido por Minas Gerais, com 141.839, e o Rio de Janeiro, com 75.935.
Em 8 de fevereiro, será feita a segunda chamada de pré-selecionados. O candidato deve providenciar a matrícula e a apresentação de documentos até o dia 19 do mesmo mês.
O ProUni concede bolsas de estudo integrais e parciais em cursos de graduação e sequenciais de formação específica em instituições privadas de educação superior. Para o primeiro semestre deste ano, estão sendo oferecidas 162.329 bolsas, sendo 108.686 integrais e 53.643 parciais (cobertura de 50% da mensalidade).
Para concorrer à bolsa integral, o candidato deve comprovar renda familiar por pessoa até um salário mínimo e meio (R$ 1.017). Para as bolsas parciais, a renda familiar deve ser até três salários mínimos (R$ 2.034) por pessoa. Cada estudante pode optar por até dois cursos.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Óculos são furtados de estátua

Ícone da literatura no Brasil, a escritora Rachel de Queiroz é natural de Quixadá e deu importante visibilidade ao município cearense, constituindo um de seus maiores patrimônios imateriais. A estátua foi inaugurada em 2012 FOTO: ALEX PIMENTEL

Quixadá Os óculos da estátua que homenageia a escritora Rachel de Queiroz, na Praça da Cultura, neste município, foram furtado na madrugada de ontem. O fato causou indignação e especulação entre quem passava pelo local ao longo do dia de ontem.

Os mais atenciosos logo notavam a falta da armação de metal. O comerciante Adalberto Martins considerou o ato um absurdo, desrespeito mesmo. A dona-de-casa Julia Ferreira, acostumada a passear pela praça ao amanhecer do dia, logo associou o fato à ação de vândalos. "Como se trata de um metal valioso (bronze), roubaram", deduziu.

A notícia do furto teve grande repercussão na Internet, por meio do Facebook. Muitos internautas criticaram o ato.

O coronel Rômulo Tavares comentou ter dado três meses para acontecer situação dessa natureza. Para Elizeu Pinheiro deveriam era ler os livros que ela escreveu e não roubar seus óculos. A universitária Rute Soares acredita que foi coisa de "gente sem escrúpulos e sem a menor consciência cultural e moral". Alguns exigiram mais segurança na praça, onde, além da Fundação Cultural, funciona o Memorial em homenagem a Rachel de Queiroz, sendo ainda ponto de encontro da cidade, principalmente de universitários.

Conforme um dos coordenadores da Fundação Cultural de Quixadá, Blasco Monte, realmente houve a tentativa de furto do óculo da estátua. O episódio ocorreu na noite da última quinta-feira, 17, quando foi realizada uma sessão de cinema ao ar livre. Houve necessidade de apagar as luzes da praça. "Alguém tentou se aproveitar da escuridão para furtar a peça. Entretanto o vigia flagrou o larápio e recuperou o artefato. O delinquente conseguiu fugir, mas os óculos já estão com a equipe da Fundação. Caso haja insistência de malfeitores em bolinar a estátua, a qual recebe o nome da escritora, a Fundação poderá instalar câmaras de vigilância", acrescentou o coordenador.

Novos óculos

Segundo o cineasta e escritor Clébio Viriato Ribeiro, um dos responsáveis pelo projeto da estátua, o escultor Murilo Sá Toledo, autor da obra, enviará um especialista para fixar os óculos na escultura. Ele também confeccionou mais dois óculos e enviará a forma para a Fundação.

A estátua da célebre escritora, cearense imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) foi inaugurada em novembro de 2012, no encerramento da I Semana Rachel de Queiroz. Foi a forma encontrada pela Associação de Cinema e Vídeo de Quixadá (ACVQ) e a Rede de Atenção Cego Aderaldo para exaltar e homenagear a ilustre representante da literatura brasileira.

Mais Informações

Fundação Cultural Rachel de Queiroz
Praça da Cultura - Centro
Quixadá
(88) 9939.2506

ALEX PIMENTEL
COLABORADOR 
 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Curta sobre Frei Tito

Curta-metragem e projeto de longa reconstituem saga de Frei Tio de Alencar nos cinemas
A tortura não deixa marcas apenas no corpo. Ela produz cicatrizes também na alma, que podem se transformar em feridas que jamais cicatrizam.

A metáfora é usada pelo cineasta Augusto César Mota Albuquerque, que, em 2008, começou a gravar o curta “SP 70”, filme que tem como foco principal de suas lentes, a carta escrita pelo frei dominicano cearense Tito de Alencar Lima (1945-1974) relatando, com riqueza de detalhes, as sessões de torturas física e psicológica as quais foi submetido, durante 30 dias de prisão, na cela da Operação Bandeirantes (Oban), no presídio paulista Tiradentes, em dezembro de 1969.

O filme tem apenas 17 minutos de duração, mas, ao todo, são cerca de sete horas de material gravado

“Pesquisei muito sobre a vida dele e queria abordar não apenas o lado político, mas, sobretudo, o religioso e os delírios sofridos”, explica o cineasta que assina a direção e o roteiro do filme.

Ele adianta que possui sete horas de material gravado, suficiente para se aventurar no projeto de um longa – aliás, este já possui um esboço bem adiantado. O longa seria acrescido de outros países visitados pelo frei dominicano, que virou símbolo da luta contra o regime de exceção no Brasil, citando a França, onde morreu, e o Chile, pontua. Todo o texto que aparece no filme é de autoria de Frei Tito, que suicidou-se na França, em 1974, aos 28 anos, vítima da repressão sofrida. Ele não suportou conviver com as feridas na sua alma, que viraram delírios, na visão do cineasta. O filme mergulha no aspecto subjetivo da trajetória do frei dominicano, cuja vida já foi contada em diversos livros, peças de teatro, ganhou biografia e, agora, vira curta, com promessa de chegar (de novo) à telona.

No início, a obra foi batizada de “Paixão de Tito”. Agora, o filme, que acaba de ser finalizado, tendo sido montado no ano passado, prepara-se para ganhar o mundo. O destino são os festivais de cinema, em especial os franceses. A opção pelo nome “SP 70”, justifica ser um código, tão comum na época da ditadura militar, além de ser também uma metáfora. Com 17 minutos de duração, avisa que é uma obra de ficção, na qual o diretor recorre à poesia e a metáforas para falar sobre os efeitos do regime militar no País. Discorre sobre conceito de alienação, participação política e, sobretudo, os efeitos nefastos dessa morte com a qual o torturado passa a conviver, como ocorreu com o padre dominicano cearense. É justamente com esse aspecto subjetivo da vida de Frei Tito de Alencar que o cineasta usa para trabalhar de maneira quase artesanal a sua obra. “O curta está pronto”, festeja o cineasta, que conta a proeza de conseguir realizar um filme no estilo de “mutirão”, como ele próprio define, afirmando ter feito um caminho diferente. Não contou com apoio financeiro de editais de arte, completando que “a ideia era fazer um filme sem recursos”. O único texto que aparece no filme, que não faz parte da carta de Frei Tito, é o diálogo entre um homem e um a mulher, encontro que acontece na França.

“O cenário é da época e o diálogo se dá entre um brasileiro e um francês”. Por ser escrita em português, a francesa não consegue entender o que está escrito (trecho da carta de Frei Tito). “Faço alusão a essa diversidade de brasileiros espalhados pelo mundo, ressalta o diretor, que também trabalha com o conceito de alienação. “Na época, muita gente não tinha compreensão do que se passava”, diz.

O cineasta chama a atenção para o texto escrito pelo frei dominicano, cuja perseguição política começa em 1968, ao participar do Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Ibiúna, interior de São Paulo, ganhando prêmio internacional. “Escrito na prisão, o texto conta com detalhes a tortura sofrida, provocando-lhe distúrbios mentais”, relata, acrescentando que o filme enfoca os delírios sofridos pelo religioso. “Ele foi submetido a tratamento psiquiátrico na França”. Pela delicadeza do assunto, Augusto Albuquerque optou por usar uma linguagem poética, marcada por metáforas. A começar pela própria estruturação do filme. “Nossos personagens são os leitores da carta”, diz, completando que o filme trabalha com o conceito de alienação, daí fugir das músicas de cantores e compositores considerados engajados politicamente. “As músicas não são politicas”.

“Ele não é um filme linear e nem tem uma linha cronológica. A gente trabalha com o inconsciente, os delírios de Frei Tito”, reitera o diretor. Como toda obra reflete um pouco sobre a história de vida do autor, não é diferente com o cineasta, cuja trajetória inclui militância política e dois anos de estudos em Teologia, entre 2001 e 2002, em Fortaleza, além de ter estudado em colégio de padres jesuítas. “Tinha vontade de fazer um trabalho sobre a ditadura militar e quando li o texto de Frei Tito chorei muito”, conta, afirmando ser impressionante a consciência do religioso. Explica que não defendia a luta armada, mas o regime pensava. A defesa de Frei Tito era pela democracia e tinha como base os ideias cristãos. Aliás, uma metáfora no filme remete a essa concepção cristã de que é necessário voltar a ser criança para conseguir o paraíso, no sentido de pureza. E era isso que defendia Frei Tito, que volta a ser criança na obra, mas no sentido teológico. Pode ser a chegada à vida eterna, o retorno a sua terra natal, uma lembrança da infância, arbitra o cineasta, explicando que cabe a cada um a leitura da cena.

No curta, o padre dominicano é interpretado pelo ator Levi Mota, que trabalha com mais outros 15 artistas, incluindo o veterano ator cearense, Ary Sherlock, além de João Falcão e Cristine Góis, entre outros. Apesar de ter 17 minutos, não se trata de documentário, explica o cineasta, que diz não trabalhar com roteiro “amarrado”.
No filme, reúne atores e não-atores, além de apostar na improvisação, como o texto da carta, que os artistas recebiam na momento da gravação. Sobre o encaminhamento do projeto, responde que “a gente ainda não decidiu como vai fazer, mas certamente, sem comercialização”, diz, esclarecendo que o contrato já prevê isso. “Vamos percorrer os festivais franceses, daí manter o ineditismo por enquanto”.

Cartas reunidas em novo livro
Frei Tito de Alencar morreu, na França, durante a Ditadura Militar: várias cartas foram escritas depois disso
Cerca de 30 cartas escritas após a morte de Frei Tito foram reunidas pelo historiador Régis Lopes no livro “Cartas de Com-paixão”, que ele lança, hoje, a partir das 17 horas, no Museu da Arte da Universidade Federal do Ceará (Mauc/UFC). A publicação é o quarto volume da coleção “Ao portador”, dedicada apenas a cartas de personalidades. O número anterior trouxe missivas de Capistrano de Abreu. O projeto é do Instituto Frei Tito.

De acordo com Régis Lopes, o material selecionado para o livro é composto em sua maioria por acervo que estava em poder da família de Frei Tito. “Não houve qualquer empecilho para que eu tivesse acesso a elas. Era de interesse dos familiares tornar esse material público”, conta.

A ideia, de acordo com Régis, não é falar de Frei Tito, contar a sua trajetória, mas retratar as memórias que ficaram após a sua morte. “Muitos morreram durante a ditadura, mas Frei Tito virou um símbolo da luta pelos direitos humanos”, destaca.

Algumas cartas já eram públicas, como a escrita pelo cartunista Henfil, em sua coluna na revista Veja, nos anos 80. Régis destaca também a carta de Dom Evaristo Arns para Frei Tito, em 1983, quando o corpo dele passou por São Paulo, antes de vir para Fortaleza, vindo da França.

Resgate
“A leitura das cartas mostra de que forma foi construída a imagem de um dos maiores mártires da América Latina. Não um mártir convencional, mas um ligado às ideias da Teologia da Libertação”, acrescenta Régis. Para ele, os temas que vêm à tona com o livro, como tortura e desrespeito aos direitos humanos, são extremamente atuais, apesar do momento político vivido pelo País hoje ser distinto do contexto no qual Frei Tito estava inserido. “A tortura, por exemplo, ainda acontece em delegacias Brasil afora, não mais por motivos políticos, como antigamente, mas é um problema que existe”.

Mais informações
Lançamento do livro “Cartas de Com-paixão”, de Régis Lopes. Hoje, a partir das 17h, no Museu de Arte da UFC (Av. da Universidade, 2854, Benfica). Contato: (85) 3366.7481

Iracema SalesRepórter 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Estudantes do ensino médio da rede pública terão livro digital a partir de 2015

O PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) abre hoje (21) o período para inscrições de obras destinadas a alunos e professores do ensino médio da rede pública para o ano letivo de 2015. A partir de agora, as editoras também poderão inscrever livros digitais – cujo acesso pode ser feito em computadores ou em tablets.

A versão digital deve vir acompanhada do livro impresso, ter o mesmo conteúdo e incluir conteúdos educacionais digitais como vídeos, animações, simuladores, imagens e jogos para auxiliar na aprendizagem. Continua permitida a apresentação de obras somente na versão impressa para viabilizar a participação das editoras que ainda não dominam as novas tecnologias.

A outra novidade é a aquisição de livros de arte para os alunos do ensino médio da rede pública. Os demais livros a serem comprados pelo governo são os de português, matemática, geografia, história, física, química, biologia, inglês, espanhol, filosofia e sociologia.

Os títulos inscritos pelas editoras são avaliados pelo MEC (Ministério da Educação) que elabora o Guia do Livro Didático com resenhas de cada obra aprovada. Esse guia é disponibilizado às escolas que aderiram ao PNLD do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Cada escola escolhe, então, os livros que deseja utilizar.

De acordo com o MEC, a previsão inicial de aquisição para 2015 é de aproximadamente 80 milhões de exemplares para atender mais de 7 milhões de alunos.
O período de inscrição de obras pelo Programa Nacional do Livro Didático vai até 21 de maio. De 3 a 7 de junho, estará aberto o período de entrega de livros impressos e da documentação. De 5 a 9 de agosto, o de entrega de obras digitais e respectivos documentos.

Fonte: Yara Aquino
Da Agência Brasil, em Brasília 21/01/2013                       12h34




domingo, 20 de janeiro de 2013

Cultura: como vender a ideia

Boas ideias e qualidade artística nem sempre são suficientes na hora de conseguir apoio financeiro

"No final das contas, o patrocinador também é protagonista no projeto", afirma Daniel Leão, produtor cultural e captador de recursos

Daniel Leão
Captador de Recursos

O que é preciso para se conseguir um bom patrocínio para projeto cultural?

A grande diferença hoje em processo de captação de recursos é conseguir envolver o investidor / doador e torná-lo também protagonista daquele projeto, benefício ou promoção cultural. É muito comum abordar empresários e pedir patrocínio sem essa compreensão, sem buscar compreender o que é o negócio dele, o que é sensível aos seus clientes, qual a cultura administrativa. É fundamental compreender cada uma as empresas para identificar o que pode ser sensível na hora da captação. Entender como envolver seus funcionários, em que aspectos o marketing pode, de fato, fazer diferença para ele. Ações diretas na empresa e durante o evento podem ser uma boa também.

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Quais os erros mais recorrentes cometidos pelos artistas?

Costumo ver vários... No momento anterior da captação tem principalmente a falta de diálogo com possíveis patrocinadores. O artista já tem o projeto pronto, não dialogou nem interagiu antes com possíveis patrocinadores nem com outras pessoas que poderiam sugerir incrementos de forma a facilitar o processo de captação. Acontece muito também do orçamento ser acanhado, o artista não soube especificar tudo corretamente ou principalmente esqueceu de contabilizar todos os impostos. Depois do projeto realizado vejo também um desleixo considerável com a prestação de contas. Este tópico deve ir além da apresentação de notas fiscais e recibos. Prestar contas do projeto é mostrar como a imagem do patrocinador foi associada, mostrar como foram atingidos todos os objetivos do projeto, especificar se todas as metas já foram cumpridas e caso-a-caso porque do não atingimento. É preciso perceber o pós projeto como uma parte da captação para as próximas edições, se não o patrocinador pode fechar as portas pra você no futuro.

O que as empresas procuram nos projetos? O que é vantajoso para elas?

Visibilidade da marca é o fundamental. Essa visibilidade deve extrapolar a logomarca no banner, no folder e a assessoria de imprensa, que, geralmente, é apresentada como um "plus" no projeto. Isso não é errado. Só é importante perceber que não é suficiente para dar visibilidade. O proponente deve abrir uma linha de diálogo e pensar junto com o patrocinador em potencial como a marca dele pode ser bem apresentada e associada ao investimento cultural. É importante pensar nos três públicos, os colaboradores, os fornecedores e os clientes do patrocinador, e pensar forma de envolvê-los caso a caso. Tudo que possa associar a marca dele como um agente promotor de cultura. No final das contas o patrocinador também é protagonista no projeto. Ele só não ajudou a concebê-lo, e até poderia. Seria vantajoso por exemplo um projeto de teatro realizar intervenções na empresa, com seus funcionários. Um festival fazer um evento interno para premiação e agradecimentos aos patrocinadores. A assessoria de imprensa do projeto pautar no caderno de economia sobre o investimento cultural feito por esta empresa. Existindo a possibilidade do patrocinador se posicionar, ele se convence de sua participação, a sua empresa se aproxima mais do projeto cultural e ele é de fato associado a cultura.

Projetos coletivos ou individuais, quais têm mais efeito junto às empresas que investem?

Projetos coletivos tem a chance de apresentar alcance maior de visibilidade. Projetos em rede tem a possibilidade de gerar mídias especificas como compilação da experiencia adquirida, documentação dos processos do projeto, etc. Essas mídias são para documentar os processos para a rede. Projetos coletivos também tem a chance de ampliar o publico atingido, então, nesse caso, vai ser preciso observar onde estão os clientes do patrocinador, para entender se valeria a pena para ele o investimento em um projeto com alcance maior do que ele atinge com seus produtos / serviços. Por isso é importante pensar no patrocinador junto com o projeto. Uma empresa de telefonia, por exemplo, poderia investir em um projeto de circulação nacional. Uma empresa de serviços, com alcance estadual, como companhia elétrica, poderia investir em projeto de circulação estadual, e assim por diante.

Como você avalia o cenário do Ceará quanto a este investimento privado em cultura. Existem muitas empresas que investem ou que tenham interesse em investir? O que falta?

A possibilidade de investimento em cultura e em outras áreas está muito associada à isenção fiscal. Para isenção de imposto federal, a empresa deve ser tributada no lucro real. Não são tantas empresas assim aqui no Ceará (não sei precisar a quantidade), diferente do eixo Rio-São Paulo. Para isenção estadual, temos possibilidades na mesma linha e quantidade de empresas. Diante do fato de não existirem tantas empresas com a possibilidade de investimento via isenção, fica a necessidade de pensarmos em que outras maneiras o investimento poderia ser feito, se dentro de verba de marketing, se apresentando formatos com maior retorno ao investidor, etc. Vejo também uma necessidade dos governos em se aproximarem mais dos investidores, seja discutindo as leis de incentivo, seja convencendo quanto ao processo de isenção ou realizando atividades de fomento ao tema da associação da marca empresarial a cultura.

Fábio MarquesRepórter

Fonte: Diário do Nordeste 
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1225242